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Revista Internacional de Espiritismo • Abril 2019
Amor e trabalho andam juntos? Muitas pessoas percebem o trabalho apenas como um meio de subsistência ou eventual enriquecimento e nada mais
Anselmo Ferreira Vasconcelos
afv@uol.com.br
01/04/2019

A indagação acima é pertinente, já que reina a sensação de que tal combinação é impossível. Amor no contexto do trabalho não é um tema amplamente escarafunchado. Com efeito, há muito espaço ainda, especialmente dentro da área do comportamento organizacional e da psicologia industrial, para significativos avanços em relação ao entendimento da manifestação do amor no trabalho.

Afinal, não há lógica nenhuma em imaginar ou transformar o ambiente de trabalho em cenário de confrontos e desamor. Mas enquanto ainda não se desenvolvem estudos mais profundos, particularmente sob o enfoque fenomenológico, tem-se como aceitável que o amor, na visão dos scholars, é um construto multifacetado. Para eles, aliás, prevalece a compreensão de que o amor no trabalho pode manifestar-se de várias maneiras, tais como estar disposto em ser útil, em conhecer as necessidades dos outros, em ter coragem para expressar admiração e respeito pelo trabalho dos companheiros.

Por ora, no entanto, segundo as pesquisas, duas marcantes características foram devidamente identificadas: trata-se de algo calcado em valores e foco na organização como uma comunidade. Talvez tão pouco ainda tenha sido revelado devido à nossa incapacidade — assim especulo — de enxergar no trabalho que realizamos — independentemente do que fazemos — o desdobramento de amor que eventualmente nos anima. Seja como for, em tendo a oportunidade de ter um trabalho — algo extraordinário no momento em que vivemos sob crescente domínio da inteligência artificial e robótica — é preciso igualmente saber retribuir, de alguma maneira, a bênção recebida.

Voltamos a esse assunto devido às tragédias coletivas e aos sinais visíveis de ausência de amor no trabalho sob as perspectivas acima mencionadas. Para muitos, infelizmente, o trabalho é apenas um meio de se ganhar a vida, pagar as contas, acumular patrimônio e assim por diante. Ou seja, muitas pessoas percebem o trabalho apenas como um meio de subsistência ou eventual enriquecimento e nada mais. Suas mentes não conseguem ainda divisar a atividade laboral sob a perspectiva transcendental. Seguem daí as atitudes negligentes, as cogitações infelizes e, o mais preocupante, as decisões temerárias.

Explicando melhor, as tragédias de Mariana, Brumadinho e do Ninho do Urubu não foram obras do acaso. Em síntese, foram frutos amargos gerados pela falta de amor ao próximo. Cristo, a quem temos por modelo de amor, deixou-nos dois mandamentos basilares: amar a Deus e ao próximo como se fosse nós mesmos. Tais deveres representam a essência do desafio humano no cadinho da matéria acrisolante. Conforme nossa conduta nestas duas dimensões, haveremos de avançar para a luz ou padecer nas sombras.

Portanto, o desenvolvimento do amor no trabalho é a chance de mostrar se estamos efetivamente prontos para cooperar e contribuir na obra divina. Tendo por premissa Deus e os nossos vizinhos, não cabe de nossa parte outra atitude a não ser ajudar, facilitar, proteger e amparar os que precisam de nós ou de nosso esforço. Quando vemos, por exemplo, pontes caindo — ou em vias de — nas grandes cidades, remédios e médicos faltando nos hospitais públicos, idosos desrespeitados, serviços malfeitos ou perigos subestimados devido à ganância ou negligência de executivos e agentes do Estado, então, é preciso rever o que estamos fazendo em relação aos dons e potencialidades que o Pai nos outorgou.

Por outro lado, cabe lembrar que o nosso envolvimento em malfeitorias ou atos de perversidade nos prejudicará aqui e do outro lado. Não há justificativa aceitável para quem usa o seu trabalho para prejudicar ou lesar os outros, mesmo que se trate de “obrigações da função”. Tenhamos muito cuidado com relação ao meio que escolhemos para ganhar a vida, pois daremos conta do que fizermos perante as leis do mundo e as de Deus.

Nesse sentido, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda faz importante advertência aos indivíduos de conduta delituosa, na obra Transição Planetária (psicografia de Divaldo Pereira Franco), que vale destacar:

“As criaturas que persistirem na acomodação perversa da indiferença pela dor do seu irmão, que assinalarem a existência pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado colarinho branco, mantendo conduta egotista, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exiladas para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.”

Posto isto, lembremos também que fazer ao outro o que desejamos para nós é uma obrigação moral. É a oportunidade de reciprocar os proeminentes benefícios do amor que nos envolvem desde o nascimento. Assim sendo, adornar as nossas tarefas com esse sentimento sublime nos aproxima da divindade. Todos nós temos condições de nos conduzir consoante esse preceito. A transformação da Terra para uma morada melhor, mais iluminada, dependerá exclusivamente do nosso empenho em aplicar o amor em tudo o que fizermos e tocarmos. Tal esforço contará muito a nosso favor hoje e sempre. Do contrário, será muito desagradável retornar ao mundo espiritual sem termos uma lista de feitos com base nesse sentimento.