Você parece ter perdido sua conexão com a internet!
Certifique-se de que esta conectado para que não perca os dados desta página.
Campos com bordas vermelhas são obrigatórios e devem ser preenchidos corretamente !
Atenção! Vendas feitas no cartão de crédito estão temporariamente indisponíveis.
CASA EDITORA O CLARIM | 113 anos divulgando o Espiritismo
CASA EDITORA O CLARIM
anos divulgando o Espiritismo
MEU CARRINHO
0
itens adicionados
0
Atenção! Vendas feitas no cartão de crédito estão temporariamente indisponíveis.
  • televendas (16) 3382.1066
  • contato
  • WhatsApp (16) 99270.6575
  • redes sociais
  •    
  • MEU CARRINHO
    0 itens adicionados
Produtos ↓
Jornal O Clarim • Março 2019
Prática mediúnica Todos estamos em formação e o estudo é mola propulsora a nos encaminhar; aperfeiçoamo-nos à medida que executamos o trabalho
Redação
oclarim@oclarim.com.br
01/03/2019

“Mediunidade (...) constitui ‘meio de comunicação’, e o próprio Jesus nos afirma: ‘eu sou a porta... Se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!’ (...) Não existe outra porta para a mediunidade celeste, para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no recôndito santuário do coração! Somente através d’Ele, vivendo-lhe as sublimes lições, alcançareis a sagrada liberdade de entrar nos domínios da Espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que vos saciará a fome para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é simples ‘meio de comunicação’ e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes.”[1]

Encontramos em O Livro dos Médiuns — que completou no último dia 15 de janeiro 158 anos de lançamento — a obra basilar de orientação para nós que nos dedicamos ao trabalho de prática mediúnica. Sendo lançado no intervalo entre a publicação de O Livro dos Espíritos e o livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, é composto por duas partes: a primeira traz em quatro capítulos as noções preliminares, e a segunda, em trinta e dois capítulos, as manifestações espíritas.

Decorrente da segunda parte de O Livro dos Espíritos — Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, é roteiro de orientação a todos os envolvidos com estas relações que ocorrem entre o mundo espiritual e o mundo material, ou extrafísico e físico, como queiram tratar. A mediunidade é uma ferramenta de trabalho, e possui em O Livro dos Médiuns o seu manual de instrução.

Feitos estes apontamentos pertinentes à obra, verificamos que Kardec preocupou-se, logo na introdução, a objetá-la, encaminhando o leitor à perfeita análise do que encontraria pela frente. É uma obra para quem realmente se dedica à prática das boas comunicações, tendo plena consciência que encontrará percalços, mas que estes serão ultrapassados pelo exercício, pela habitualidade e pela orientação através do conhecimento adquirido nesta obra e em outras auxiliares.

Ponto a ser destacado é a questão da formação dos médiuns (capítulo 17). Não existe médium pronto. Todos estamos em formação e o estudo é mola propulsora a nos encaminhar; aperfeiçoamo-nos à medida que executamos o trabalho. É um processo de afinidade com o plano espiritual superior, mesmo quando nos tornamos veículo de entidades menos felizes. Estando afinados com as equipes do bem, contamos sempre com a sua assistência, não nos permitindo cair em ciladas preparadas pelo plano inferior.

Mesmo assim, se cairmos, “As ciladas constituem recursos perturbadores durante a experiência humana que têm a finalidade de proporcionar a aquisição de resistências espirituais e de valores pessoais ao indivíduo, mediante os quais o Espírito se enriquece de sabedoria.”[2] Em tudo existe aprendizado, no qual sairemos mais fortes e sábios se soubermos compreender a lição.

O Livro dos Médiuns nos traz, no capítulo 20, uma advertência muito importante para todos que nos dedicamos a esta prática. Fala-nos sobre a influência moral do médium. A mediunidade não tem relação com a moralidade do médium, pois radica-se no organismo, porém o seu uso poderá ser bom ou mau de acordo com as características boas ou más da criatura. Já nos alerta Emmanuel: “Não é a mediunidade que te distingue. É aquilo que fazes dela. A ação do instrumento varia conforme a atitude do servidor.”[3] O direcionamento da mediunidade dá-se muito mais fora da reunião mediúnica, no dia a dia do médium, do que no momento reservado à reunião.

Por isso, nós médiuns não podemos atribuir a falta de decoro ocorrida na reunião aos Espíritos. Somos instrumentos passivos no sentido de sermos dóceis àqueles que se apresentam a nós naquele momento, não oferecendo resistência à comunicação, mas mantendo o controle sobre tudo o que ocorre. Semelhante a uma visita que adentra nossa casa, somos responsáveis por todos os seus atos. Não poderemos alegar ao síndico que estávamos dormindo enquanto a visita agia de forma desabonada.

Mesmo falando da mediunidade que se expressa de forma inconsciente. Mais uma vez fazendo analogia, explicamos as regras à nossa visita, e mesmo que estejamos impossibilitados, o convidado deverá portar-se tal qual nos portaríamos. A questão é se não nos portamos de acordo. Ainda que apresentemos as regras, ele verá nosso exemplo e o copiará.

Por fim, não busquemos a perfeição neste terreno, pois que ainda não existe. “Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem uma tentativa de enganá-lo.”[4] Porque se nos acreditarmos infalíveis ou perfeitos acabaremos entrando pela senda da obsessão, explicada no capítulo vinte e três da referida obra. Ela começa de uma forma simples, imiscuindo-se em nossos pensamentos, iludindo-nos ao ponto de acreditarmos nas mais tolas ideias como sendo verdadeiras, paralisando-nos o raciocínio, que seria a fascinação. Por último, e não obrigatoriamente seguindo esta ordem, constringindo-nos física e moralmente, estágio da subjugação.

A mediunidade nos ajuda a evoluir. Não foi dada a escolhidos; foi proporcionada àqueles que se colocaram em condição de aprendizado, seja por processo de reajuste moral acelerado, seja por desejo de ajudar o próximo ajudando a si mesmo. Não se dá nem se tira mediunidade. Trabalha-se, educa-se e evolui-se com ela. É uma faculdade do Espírito que se manifesta no campo físico. Que possamos aprender com ela, que possamos nos educar com ela, que possamos evoluir com ela. Que sejamos melhores pessoas em virtude do que aprendemos através dela!


1. XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da Luz. Pelo Espírito André Luiz. Cap. 9, Mediunidade e Fenômeno.

2. FRANCO, Divaldo. Entrega-te a Deus. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Cap. 5, Ciladas.

3. XAVIER, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 12, Na Mediunidade.

4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Capítulo XX, item 226, questão 9ª.