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Revista Internacional de Espiritismo • Março 2019
Os atributos do homem de bem Sócrates assumiu o compromisso em fazer a libertação dos homens por meio do conhecimento e da verdade
Cícero Alberto Nunes
ssisso.ej@hotmail.com
01/03/2019

Sócrates, filósofo da antiguidade, por pregar a verdade e a liberdade, foi acusado de subverter e desviar a juventude da época, tendo como pena o envenenamento por cicuta. Mesmo sabendo que suas ações não justificavam tal condenação, nada fizera para escapar ao cumprimento da lei dos homens, por mais injusta que pudesse ser, fato comprovado por meio do livro A morte de Sócrates, de Emily Wilson.

Diante do encarceramento do mestre, seus discípulos tentaram tirá-lo da prisão, mas não encontraram seu apoio. Aproveitando-se de mais um momento para as suas lições, o filósofo disse aos amigos que não pretendia fugir, pois tanto conclamou os mais jovens a respeitarem as leis de Atenas, que naquele momento não podia dar-lhes mais exemplos senão o de permanecer em seu cárcere, aguardando a sua sentença. E, alcançando o ápice do encontro entre o mestre e seus discípulos, Sócrates diz que ao homem de bem, nada pode acontecer!

Sócrates viveu entre os séculos V e IV a.C. Filho de uma parteira, ele experimentou na prática o ofício de sua mãe, quando o assunto era fazer parir o conhecimento que, segundo o filósofo, todo homem traz consigo. Sócrates nunca se considerou sábio, no entanto, segundo o Oráculo de Delfos, era o homem mais sábio de Atenas, pois admitia sua própria ignorância, imortalizando a frase: Só sei que nada sei! Ele era defensor e disseminador da lei das vidas preexistentes, pois afirmava a existência de uma roda dos nascimentos. Sócrates defendia uma vida examinada e bem vivida, amando os homens e respeitando suas leis, sem, no entanto, deixar de amar a Deus e às suas leis em primeiro lugar. A vida de Sócrates era pautada na crença e no conhecimento de um Deus justo, misericordioso e renovador. Um Deus que ama os homens e lhes dá tantas oportunidades quantas forem necessárias, sendo garantidas as possibilidades por meio da roda dos nascimentos, que segundo o próprio filósofo, deveria ser evitada, no sentido de não a tornar uma prática viciosa.

A maiêutica socrática, no bom e prático entendimento, significa fazer parir o conhecimento, uma alusão ao ofício de sua mãe, que era parteira. Assim, o filósofo assumiu o compromisso em fazer a libertação dos homens por meio do conhecimento e da verdade. É clara a semelhança que há entre o trabalho do filósofo e a célebre frase de Jesus: Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará! Para Sócrates, todo homem traz em si, nos recônditos de sua alma, o conhecimento que adquiriu em vidas passadas, fato rotineiramente comprovado por meio das práticas do filósofo. É conhecido o episódio em que Sócrates, ao indagar um escravo, com as perguntas certas e da forma correta, faz com que este resgate conhecimentos de matemática que, naquela existência, seria impossível ele (o escravo) possuir.

Com isso, podemos fazer uma reflexão acerca do homem de bem, chegando à conclusão de que Sócrates viveu como um homem de bem, pois além de demonstrar exímio conhecimento das leis do Criador e da razão de sua existência, ele assume o progresso da humanidade como o agricultor assume o cuidado com a semeadura e sua colheita. Ele ama os homens, mesmo sabendo de suas imperfeições em decorrência do estágio de grosseria e que o atraso moral desses homens culminaria com a sua morte. Sócrates dedica-se à libertação dos homens, ensinando-lhes o amor à Sabedoria que é Deus.

O homem de bem, como adequadamente diz Sócrates, é um homem desprendido e destemido; desprendido de coisas e eventos materiais, pois a sua preocupação transcende a transitoriedade do mundo das formas, como bem diz Platão. O homem de bem faz ecoar nos recônditos de sua alma as palavras do Messias, quando este diz: E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. O homem de bem carrega em si o compromisso com os bens espirituais, pois ele sabe que é imortal e herdeiro de suas próprias ações. O homem de bem busca a verdade, o conhecimento e a sabedoria, pois criado simples e ignorante, necessita suprir as carências inerentes à sua condição de simplicidade e ignorância. O homem de bem sabe que só poderá encontrar alimento espiritual em seu Criador e n’Ele é que saciará sua fome e sede de sabedoria. O homem de bem entende que as dores que sofre são um bem necessário ao progresso do Espírito, que a lágrima que verte está em razão das faltas pretéritas que no presente precisam ser remidas. O homem de bem entende que todo padecimento pelo qual passa representa uma porta aberta para o reajuste do devedor em relação às leis divinas. O homem de bem é manso, traz em seu coração a doçura e a tranquilidade, não alimentando ódio nem ressentimentos contra seus irmãos. O homem de bem não se deixa turvar o coração, pois do conhecimento e da sabedoria adquiridos por meio do contato com seu Criador, herdou um equilíbrio inalterado. O homem de bem acredita que a justiça verdadeira provém do Pai e que está pronto para vivenciá-la, pois entende que a justiça é o meio pelo qual seus débitos são resgatados e ele encontra conforto e consolo na ciência da dívida paga. O homem de bem não teme a justiça do alto, pois sabe que Aquele que a instituiu é misericordioso e bondoso e deixa sempre a porta aberta ao pecador. O homem de bem age com misericórdia para com seus irmãos, pois também é carente dela. Ele sabe que a misericórdia do Pai banha todos os seus filhos, estejam eles nos caminhos do bem ou nos caminhos do mal. O homem de bem sabe que sua existência é regida pelas leis divinas e, entre elas, estão as de causa e efeito e a da reencarnação. O homem de bem busca a pureza nas suas ações, ama o bem e pratica a caridade. O homem de bem ama tanto os seus amigos como os seus inimigos, pois sabe que todos são filhos do mesmo Pai, que faz chover sob os bons e sob os maus. O homem de bem é cônscio de que só a pureza de seus atos o fará entrar em comunhão com Deus, conhecendo os seus mistérios. O homem de bem reconhece e deseja a paz como a grande bandeira fincada na Terra Prometida, onde os que vencerem a batalha pela paz serão chamados filhos de Deus, pois somente os imbuídos pelo sentimento de filiação em relação ao Pai reconhecerão a necessidade da paz entre as criaturas terrenas. O homem de bem entende que a paz não é uma dádiva, mas uma conquista, uma batalha travada a priori, interiormente e, a posteriori, no mundo, no sentido de não deixar o caminho livre para a ação dos maus, enquanto os bons testemunhem passivamente o aniquilamento e a barbárie. O homem de bem sabe, assim como Sócrates e o próprio Jesus sofreram perseguição por causa da justiça, ele também sofrerá, pois em meio aos mais diversos conflitos que vivencia, muitos serão os que perseguirão os filhos de Deus. O homem de bem sabe que aqueles que hoje são vítimas por causa da justiça herdarão o reino dos céus. O homem de bem sabe que, pela sua vida em comunhão com as lições do Cristo, muitos serão os que se lançarão contra ele, cobrindo-o de vitupérios e impropérios, sem no entanto esquecer que sua glória será grande, pois como o próprio Jesus disse, aquele que me negar diante dos homens eu o negarei diante do meu Pai e aquele que der testemunho de mim diante dos homens, eu o exaltarei diante de meu Pai.

A condição do homem de bem é um estado de conquista que exige uma longa e árdua caminhada, pois este estado não se consegue senão por meio de extensa marcha na estrada do conhecimento, da sabedoria, do amor, da caridade e do perdão. Representa, pois, esta conquista um total desapego de tudo que proporciona gozo material e entristece o Espírito. A conquista da condição do homem de bem representa uma libertação das mais profundas nódoas perispiríticas, significando alvejar as vestes perispiríticas no sangue do Cordeiro, ou seja, viver como Jesus viveu, seguir os passos do Mestre e devotar as mais diversas existências ao Criador, vivendo em comunhão com os irmãos da grande família universal.

É esse homem, cuja conduta é santificada e voltada para Deus, que representa a figura do homem que todo Espírito mais ou menos adiantado tem como devir, assinalando um porvir calcado na ascendência de Jesus e de todos os profetas. É a esse homem de bem que o sábio da antiguidade se referiu, que não teme a morte, pois esta existe tão somente como transcendência para os estágios mais elevados e as conquistas do Espírito em romagem para o progresso.

O homem de bem é a alma que se encontra em plena conexão com a ciência dos Espíritos, que representando o Cristianismo redivivo, anuncia o advento de um tempo em que os ouvidos se abrirão para ouvir e os olhos para enxergar. O homem de bem é o espírita professo, o espírita consciente, o espírita verdadeiro. O homem de bem entende que todas as religiões levam a Deus, pois como um profundo conhecedor das vontades do Pai, sabe que o atraso dos homens é uma questão de tempo. Pela vontade do Criador, seus braços paternais estão sempre abertos para acolher o filho pródigo, assinalando que o arrependimento mais cedo ou mais tarde falará dos corações dos homens em direção a Deus. O homem de bem é como uma grande e frondosa árvore, acolhendo a todos os viajores e fornecendo sombra aos que a ela procuram, não fazendo distinção de raça, sexo, cor, estado moral e doutrina. O homem de bem é o homem do novo tempo, é a consciência que limita as possibilidades, é o seguidor fiel das lições de Jesus, é o homem espiritual que tem como devir a criatura angelical.