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Jornal O Clarim • Fevereiro 2019
Desejo por milagres Editorial
Redação
oclarim@oclarim.com.br
01/02/2019

É comum esperarmos que soluções instantâneas e inesperadas batam à nossa porta e resolvam nossos conflitos mais angustiantes. Em uma única palavra, podemos dizer que todos gostaríamos de receber algum milagre — ou alguns.

A medição deste comportamento é muito bem exemplificada pela popularidade dos jogos de azar ou loterias, que entregam probabilidades mínimas de sucesso e mesmo assim batem recordes e recordes de participação. A Mega-Sena, por exemplo, que sem dúvida é mais cobiçada em nosso país, permite 50 milhões de combinações (mais precisamente 50.063.860 combinações). Certa vez, o engenheiro Tristão Garcia afirmou que a chance de acertar as seis dezenas é a mesma de conseguir, no cara ou coroa, virar uma moeda 26 vezes e acertar o mesmo lado. Não é impossível, mas convenhamos que é bastante improvável...

Encerrando nossa breve divagação, percebemos como não faz sentido depositar todas as nossas esperanças e esforços em um empreendimento com chances tão remotas de êxito. Assim acontece com os milagres. Não pensamos racionalmente. Mas por que insistimos em crer neles?

Uma das possíveis explicações que nos arriscamos a apresentar está no longo e vagaroso processo de aquisição de conhecimento. Os passos da humanidade, pensando no desenvolvimento de uma inteligência coletiva, são lentos e interdependentes. Assim, muito do que hoje temos domínio, como a força de atração gravitacional, por exemplo, em outros tempos poderia ser considerado um milagre, no mínimo um mistério.

Milagre, pois, é todo fenômeno que não conseguimos explicar ou compreender. Ainda.

A partir do instante em que avançamos em conceitos racionais, somos capazes de estabelecer sequências lógicas e, o mais importante, transmitir esses conhecimentos, universalizando-os.

No desenvolvimento das religiões cristãs, historicamente, o milagre teve um papel central. Tem como finalidade conduzir os seres humanos a Deus de modo extraordinário. Contudo, o próprio Jesus afirmou em João, 14:12: “Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas...”

Na literatura espírita, encontramos outras passagens que descaracterizam o conceito histórico de milagre.

Léon Denis, em Cristianismo e Espiritismo (cap. 5), afirma: “O milagre é uma postergação das leis eternas fixadas por Deus. Obras que são da sua vontade, e seria pouco digno da suprema Potência exorbitar da sua própria natureza e variar em seus decretos.”

Agar, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, em Dicionário da Alma, esclarece: “O milagre é sempre o coroamento do mérito, mas nunca derrogação das Leis naturais, que funcionam, igualmente, para todos.”

André Luiz leciona na obra O Espírito da Verdade: estudos e dissertações em torno de O Evangelho segundo o Espiritismo: “(...) designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.”

Por fim, recorrendo à segurança da codificação, encontramos o exposto na questão 802 de O Livro dos Espíritos: “Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por que não apressam os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos? — Desejaríeis milagres, mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão.”

Enfatizamos que a palavra mérito foi utilizada em duas de nossas citações, evidenciado a necessidade do esforço no emprego de nossas conquistas. Resta-nos apenas concluir afirmando que a crença nos milagres é incompatível com a prática espírita, que procura fundar-se na lógica, na razão e na ciência para estudar os fenômenos que nos englobam.