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Jornal O Clarim • Janeiro 2019
Se fosse um homem de bem... Editorial
Redação
oclarim@oclarim.com.br
01/01/2019

“Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: ‘Se fosse um homem bom, teria morrido.’ Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação. Por conseguinte, quando vos utilizais daquele axioma, não suspeitais de que proferis uma blasfêmia.

“Se morre um homem de bem, cujo vizinho é mau homem, logo observais: ‘Antes fosse este.’ Enunciais uma enormidade, porquanto aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre? Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito? Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

“Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem. Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes, diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira.”[1]

Interessante esta orientação dada por Fénelon e constante em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Alerta-nos o nobre comunicante que nossa visão limitada diante dos fatos que se sucedem nesta grande escola, o nosso planeta, resulta em graves falhas de julgamento e um entendimento completamente equivocado do que se pode entender por justiça divina. Tema semelhante abordamos no editorial deste mês da Revista Internacional de Espiritismo, nosso periódico irmão.

Acreditamos que o castigo é a morte. Que morte? Já deveríamos estar cientes de que esta não é a vida verdadeira e de que aqui costumeiramente vivemos buscando objetivos efêmeros, pouco relevantes para a nossa marcha de progresso. Logo no primeiro parágrafo do item seguinte à mensagem de Fénelon, sob o título “Os tormentos voluntários”, encontramos o complemento que nos faz compreender o absurdo que é defender a vida material como a principal fonte de esperança: “Vive o homem incessantemente em busca da felicidade, que também incessantemente lhe foge, porque felicidade sem mescla não se encontra na Terra. Entretanto, malgrado as vicissitudes que formam o cortejo inevitável da vida terrena, poderia ele, pelo menos, gozar de relativa felicidade, se não a procurasse nas coisas perecíveis e sujeitas às mesmas vicissitudes, isto é, nos gozos materiais em vez de a procurar nos gozos da alma, que são um prelibar dos gozos celestes, imperecíveis (...).”

Justamente por buscar agressivamente a felicidade pouco genuína na Terra, o ser humano tem se deixado vencer pela ansiedade, pela depressão, cultivando um vazio interior que a cada dia se agrava mais e mais. O materialismo é uma chaga feroz, que desvia nosso foco das conquistas verdadeiras, as do Espírito imortal. Claro que é lícito buscarmos conforto material, uma melhora de nossa condição social, porém este não deve ser nosso único direcionamento para a vida. As questões morais são primordiais e a cada dia ganharão em importância, pois o contexto é de renovação, o momento é de evolução coletiva; não queremos ser retardatários, mas para isso precisamos acelerar o passo e consultar a bússola correta. 

O caminho está traçado; precisamos querer encontrá-lo.


- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V — Bem-aventurados os aflitos. Se fosse um homem de bem teria morrido. 131.ed. 2ª impressão (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2013.