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Revista Internacional de Espiritismo • Janeiro 2019
Humberto de Campos: de cá e de lá Algumas preocupações e focos desenvolvidos em textos pelo escritor são identificáveis e ampliados nas obras mediúnicas por Chico Xavier
Antonio Cesar Perri de Carvalho
acperri@gmail.com
01/01/2019

Um dos mais conhecidos escritores brasileiros, Humberto de Campos Veras nasceu em Miritiba — hoje Humberto de Campos — no Maranhão, aos 25 de outubro de 1886; desencarnou no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1934.

Na então Capital da República, Humberto de Campos tornou-se famoso como brilhante jornalista e cronista; suas páginas foram “colunas” em todos os jornais importantes do País. Dedicou-se inteiramente à arte de escrever. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1919. Exerceu o mandato de deputado federal por seu estado natal, tendo seus mandatos sucessivamente renovados até ser cassado com a Revolução de 1930.

Escritor extremamente popular por atender a perguntas de missivistas e visitantes, fez-se amado por todo o Brasil, especialmente na Bahia e em São Paulo. Adotou vários pseudônimos, inclusive o de Conselheiro XX. Esse depois veio a ser adaptado para os livros espíritas, como Irmão X. Quando adoeceu, modificou completamente o estilo literário.

Obra recente, O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos[1], oferece uma excelente oportunidade para se conhecer o escritor Humberto de Campos, com base em seus livros como encarnado e como Espírito pela psicografia de Chico Xavier, e ainda com lances sobre sua vida desde a infância. O autor Cláudio Bueno da Silva focaliza momentos da vida de Humberto de Campos e relaciona suas obras como encarnado com as escritas pela psicografia de Chico Xavier.

Cláudio Bueno da Silva destaca que Humberto de Campos sempre focalizou a questão da morte: “Eu sou, ordinariamente, um homem que tem medo da morte” e o dilema “a certeza de que os outros aqui ficam e o morto não sabe para onde vai”. Numa crônica sobre Finados, anotou: “Parece que a Morte, neste momento, se acha confundida com a Vida.” De outra feita, registrou o medo de “ter a sua memória enterrada com seu corpo”, e ainda “espiando a morte, conhecer o engano da vida”[1].

Assim, o autor citado não considera Humberto de Campos um materialista clássico: “se dizia cético, é curiosa a sua insistência em tratar dos assuntos transcendentais, místicos, religiosos, cuidando da vida e da morte. (...) usava a ironia para disfarçar certo interesse recôndito. (...) O ceticismo em Humberto de Campos talvez não tivesse raízes tão profundas.” O autor destaca que as crônicas do livro Sombras que sofrem, publicado no ano da desencarnação de Humberto de Campos, em 1934, mostram este último “preocupado em ajudar o próximo com as melhores ‘armas’ de que dispunha e que manejava muito bem: as palavras e as ideias”[1].

Com frequência, o escritor maranhense fazia referência a textos bíblicos e casos relacionados com a Judeia. Escreve crônicas em forma de parábolas, sempre com fundo moral e instrutivo. Enaltece a caridade. Em Mealheiro de Agripa adverte: “Homens ricos e poderosos que vos banqueteais sobre miséria de Lázaro, escutai, se tendes ouvidos, a palavra dos profetas.” Em Notas de um diarista, comenta versículos do evangelista Mateus (19, 16-24) sobre a questão: “Bom Mestre, que boas obras devo praticar para conseguir a vida eterna?”[1]

Fato interessante é que Humberto de Campos era amigo pessoal — e de fazer visitas constantes —, do romancista Coelho Neto, também maranhense e membro da Academia Brasileira de Letras. Soube que seu amigo quando se encontrava abatido era tratado, enquanto dormia, pela esposa e por uma doméstica que o “defumava com ervas prestigiosas”. Coelho Neto veio a se convencer do Espiritismo após um fato inusitado em que teve a certeza da sobrevivência espiritual de sua filha.

Passadas mais de oito décadas da desencarnação, a notoriedade de Humberto de Campos aumentou com as obras “do lado de lá”.

Após o lançamento das primeiras obras assinadas por Humberto de Campos, surgiu o rumoroso processo movido por seus familiares, reclamando direitos autorais, em 1944. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira (FEB) ganharam a causa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O assunto ganhou destaque na imprensa leiga da época e transformou-se no tema do livro A psicografia ante os Tribunais, de Miguel Timponi, editado pela FEB. Em função disso, passou a adotar o pseudônimo Irmão X.

Algumas preocupações e focos desenvolvidos em textos pelo escritor Humberto de Campos são identificáveis e ampliados nas obras mediúnicas por Chico Xavier.

Como Espírito escreveu diversas obras pela psicografia do médium mineiro, doze publicadas pela FEB (entre 1937 e 1969): Crônicas de além-túmulo; Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho; Novas mensagens; Boa nova; Reportagens de além-túmulo; Lázaro redivivo; Luz acima; Pontos e contos; Contos e apólogos; Contos desta e doutra vida; Cartas e crônicas; Estante da vida. Também foram lançadas Relatos da vida (1988) pela Editora CEU, e Histórias e anotações (2010) pela Editora Boa Nova.

Particularmente, a obra Boa nova é de grande valor, unindo conhecimentos bíblicos e da região de Israel sob a óptica espiritual.

Sempre admirador do notável literato, ficamos mais sensibilizados pelas repercussões de sua obra, depois de nossas continuadas visitas à cidade de Parnaíba, Piauí, onde existem vários familiares pelo lado paterno. Ali ele viveu alguns anos de sua meninice e plantou um cajueiro, muito citado em seus livros como encarnado. O cajueiro, mais que centenário, originou um logradouro público e passou a ser um monumento vivo da cidade.

Recentemente, em livro que ofertamos àquela comunidade, Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba[2], adotamos como símbolo os frutos do cajueiro, estabelecendo a relação com o movimento espírita de Parnaíba, que se desdobra em marcantes obras sociais. E também em função de visitas à cidade, reunimos textos de nossas palestras e entrevistas em eventos espíritas em Parnaíba, pois sempre enfatizamos a repercussão das obras espirituais do famoso escritor, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier. Em nosso livro destacamos e apresentamos um retrato de Humberto de Campos com carinhosa dedicatória de sua genitora, Ana de Campos Veras, que ainda vivia naquela cidade em 1938, endereçada a Chico Xavier — “dedicado intérprete espiritual de meu saudoso Humberto”.

As obras de Humberto de Campos — de cá e de lá — merecem estudos em nossos dias!


1. SILVA, Cláudio Bueno. O menino livre de Miritiba. Humberto de Campos. 1.ed. Araras: IDE. 2018. 319p.

2. CARVALHO, Antonio Cesar Perri. Os frutos do cajueiro. Ações espíritas em Parnaíba. Parnaíba: Ed. Centro Espírita Caridade e Fé. 2018. 94p.