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Revista Internacional de Espiritismo • Janeiro 2019
Os quatro desafios O necessário equilíbrio entre família, trabalho, religião e sociedade
Rogério Miguez
rogmig55@gmail.com
01/01/2019

É lei de Deus evoluir pelo mecanismo das reencarnações, ou seja, retornar a um mundo material, ocupar um novo corpo físico, participar de outra família, tantas vezes quantas forem necessárias, para alcançar a relativa perfeição, meta fadada a ser atingida mais hoje, mais amanhã. Atingindo esta condição, permaneceremos ativos e bem vivos como Espíritos imortais, no entanto, agora puros, trabalhando e aprendendo continuamente junto ao Pai.

Nas nossas primeiras experiências reencarnatórias, nos preocupávamos apenas com a própria sobrevivência, por meio da busca de alimentação, abrigo das intempéries, fuga dos predadores, a reprodução dos seres se dava em nível próximo aos irracionais; porém, na medida de nossa especialização, crescendo intelectual e socialmente, surgiram novos desafios, hoje representados pelas quatro grandes áreas de atuação de qualquer ser humano: família, trabalho, religião e sociedade.

De modo geral, não atuamos com equilíbrio nestes quatro setores, proporcionalmente à importância de cada qual e de acordo com cada planejamento de vida, criando assim dificuldades aos mais próximos e para nós mesmos.

Antes de voltarmos mais uma vez para a Terra, de modo geral, fazemos uma programação de trabalho definindo quais áreas serão prioritárias, visando sempre a nossa particular evolução e do grupamento ao qual estaremos vinculados.

É possível ao Espírito postulante a ocupar um novo corpo físico, quando possui discernimento para tanto, estabelecer em comum acordo com os responsáveis pelos processos reencarnatórios uma atuação mais significativa em um campo do que em outro.

Tomemos como exemplo aqueles que desempenharão uma missão de relevância para a comunidade, exigindo extremada dedicação. Estes podem optar por não constituir uma família propriamente dita, nesta particular existência, dedicando sua integral atenção para a família universal. Por outro lado, outros podem acertar uma vida completamente voltada para a família da qual farão parte, não tendo muito tempo para a sociedade ou mesmo para uma atuação mais intensa na esfera religiosa. Outros ainda poderão solicitar uma vida bem focada no trabalho material mais rude e intenso, a título de exemplo, no campo, quando usarão a maior parte das suas horas e esforço físico trabalhando de sol a sol, sob pena de não obter alimento para o seu sustento e de sua família. Há muitas opções e são vários arranjos possíveis, em razão das muitas necessidades. Para todos estes, após a reencarnação, não haverá muitas escolhas, exceto envolver-se, como previsto, na área previamente escolhida.

No entanto, para grande parcela, a vida correrá sem significativas atuações nesta ou naquela esfera de ação; para estes é importantíssimo observar cuidadosamente os significativos desafios, sob os quais atuamos.

Dentre os quatro, considerando uma existência “padrão”, a família deverá receber sempre nossa atenção em primeiro lugar. É o principal âmbito de atuação, onde as maiores lutas serão travadas, função do passado que erigiu os relacionamentos entre os componentes da família, nem sempre de afinidade. O grupo familiar é escolhido a dedo; pai, mãe, filho agora e genitor no futuro, tio, primo e assim por diante, tudo perfeitamente esquematizado. Não há família formada ao acaso, portanto, se sairmos vencedores neste campo de ação, pode-se afirmar, já somos vitoriosos.

O campo seguinte, naturalmente, é aquele que possibilita a produção de recursos para a manutenção da vida, visando principalmente a não sobrecarregar os outros, todavia, de maneira harmônica e não obsessiva. Há os que querem trabalhar cada vez mais, no afã de amealhar bens e recursos materiais, sob a suposta alegação de levar para a casa satisfação através das melhores posses materiais para todos, como se estes bens fossem os mais importantes. Esquecem-se, ou fazem por esquecer, de que todos os familiares têm as suas trajetórias evolutivas delineadas individualmente por Deus, e deste modo, precisarão também encontrar equilíbrio em suas vidas, trabalhando e atuando normalmente; em tese, jamais poderão ser totalmente substituídos pelos pais.

O ligamento ou religamento com a Divindade, porquanto todos nós já nos ligamos à Divindade de formas variadas em outras existências, é outra área de suma importância, ainda assim, jamais poderá prejudicar as nossas relações familiares. Há indivíduos fanatizados que não saem das igrejas e centros, muitas vezes relegando seus familiares à própria sorte. Creem estar na Terra apenas para agradar a Deus de todas as formas, esquecidos de que quando se cuida da família, o Criador fica bastante “satisfeito”. Não esqueçamos de que todos somos filhos do mesmo Pai. Outros, recebendo gratuitamente os recursos mediúnicos, passam a viver às expensas de suas “revelações” ofertadas aos descuidados e ociosos, aceitando um presente aqui, outro agrado material ali, passando assim a usar a religião como meio de vida.

Finalmente, não sendo o menos importante, temos a sociedade. Entretanto, tal desafio deve receber atenção em função do tempo disponível, isto é, após a atuação nos outros três, pode-se interagir no campo social, buscando atender, dentro do possível, as muitas carências características de sociedades construídas como a nossa, à margem da lei do Cristo. Distribuir um prato de sopa hoje, um agasalho amanhã, escutar um reclamo alheio e fornecer orientação, participar de verdadeiras ONGs protetoras dos mais necessitados – racionais ou irracionais –, visitar os doentes, enfim, os pedidos encarecidos de apoio, seja material ou moral, estão por toda a parte.

Sobre a doação de bens materiais, é importantíssimo desapegar-se. Conta-se que uma casa espírita recebeu no fim dos anos 1990 um telefonema de prestimosa doadora, que tinha uma mala repleta de roupas usadas, mas não poderia levar a valiosa doação ao centro em questão. Frequentadores atentos se dispuseram a retirar a preciosa dádiva, e assim o fizeram. Quando voltaram, em uma mala de couro surrada, modelo bem antigo, encontraram peças do vestuário feminino, a saber: algumas anáguas e tantas combinações. Para aqueles não familiarizados com estas vestimentas, referem-se a peças em moda do século passado, lá pelos anos 1960-70. Passou o tempo...

E agora, como faremos? A vida se apresenta, estes desafios estão em nossa caminhada, fazem parte de nosso processo evolutivo, formam o mundo em que vivemos. Espera-se equilíbrio, sensatez, bom senso, de modo a aproveitar ao máximo as oportunidades apresentadas pela vida, e são inúmeras.

Quando estivermos atuando demasiadamente em um setor em detrimento de outro, pode haver prejuízo. Aí está um sinal de alerta. Reflitamos, observemos, ajuizemos, pois, no futuro, em função do esquecimento de uma ou outra esfera de ação, poderemos nos surpreender com o resultado e lamentarmos as chances de progresso desperdiçadas.

Curiosamente, esta ordem de envolvimento do Espírito reencarnado nestes quatro setores segue a própria sequência da vida:

I. Primeiro, o Espírito se envolve com seus pais, talvez irmãos, tios, avós etc.; destas interações vão sendo construídos os padrões de comportamento, os quais, aliados às tendências instintivas forjadas nas vidas pretéritas, vão moldar uma nova personalidade;

II. Logo o Espírito é conduzido às escolas para iniciar a sua formação intelectual, sendo do ponto de vista da lei do trabalho nada mais que uma ocupação útil, ou seja, trabalho. Mais adiante, os estudos se avolumam, conduzindo a uma formação profissional propriamente dita, propiciando ao Espírito outras formas de trabalho;

III. Passada esta etapa de formação profissional, ou mesmo no seu decorrer, o Espírito pode ter voltada a sua atenção para o campo religioso, quando iniciará suas experiências preliminares tentando se religar a Deus, conforme suas tendências trazidas do passado, ou mesmo por influência dos pais e da família;

IV. Finalmente, educado pelos pais, com uma profissão construída, forma de adoração escolhida, o Espírito pode voltar-se à sociedade, buscando atendê-la dentro do seu alcance, isto tudo sem jamais esquecer a família, ponto de partida e porto que poderá ser seguro, função da educação recebida, de onde se aventurará nos mares mais revoltos que se apresentarão em sua existência;

V. Ao longo destas etapas, buscará a constituição de sua própria família, quando observará os cuidados necessários para mantê-la, reiniciando o ciclo nos quatro domínios de atuação.

Se o Espírito adquiriu a relativa sabedoria através da formação recebida de sua família e de seu próprio esforço, ao educar-se pelos meios formais oferecidos pela sociedade, saberá dimensionar apropriadamente seu tempo, distribuindo-o sabiamente entre as áreas de ação. Se não permitir a concentração excessiva em determinado setor, em detrimento de outro, construirá, desta forma, uma vida de “sucesso”, portando agora o galardão do dever bem cumprido, da vida bem aproveitada, com a certeza de ter vencido os quatro grandes desafios.