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Animais e espiritualidade

Seminário sobre o tema foi realizado no C. E. O Clarim.

Cássio Leonardo Carrara
27/09/2017

Realizou-se no auditório do Centro Espírita O Clarim, em Matão (SP), na tarde do dia 23 de setembro, seminário com Irvênia de Santis Prada, renomada escritora e palestrante espírita e professora emérita da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).

Para um público superior a 150 pessoas, a expositora trouxe à discussão o tema “Animais e espiritualidade”, iniciando sua abordagem com uma questão: os animais têm espírito?

 

Evolução contínua

Baseando-se na codificação espírita, mais especificamente em O Livro dos Espíritos (LE), Irvênia salientou que a inteligência dos animais é ligada ao princípio espiritual, independente da matéria, e sobrevive à morte do corpo físico (LE 597). Muitos podem crer que o ser humano é privilegiado em relação aos demais seres da criação por agir com racionalidade, enquanto os animais seriam guiados unicamente pelo instinto, porém o instinto não é algo independente da inteligência, mas uma espécie desta, fundamental para a sobrevivência das espécies (LE 73). No homem primitivo, o instinto ainda é dominante em relação ao livre-arbítrio (LE 849), comprovando que o processo de evolução do princípio espiritual – que anima os animais – não é brusco, configurando-se numa transitoriedade que se aprimora gradualmente até estar em plenas condições de transformar-se em espírito, animando, finalmente, um corpo humano (LE 607a). A inteligência dos homens e dos animais provêm de um mesmo princípio, mas no homem ela já passou por uma elaboração que a eleva (LE 606a).

Além disso, ela citou dois interessantes episódios relatados por Divaldo Pereira Franco e Francisco Cândido Xavier, que afirmaram ver mediunicamente cães que já haviam desencarnado ainda ligados ao ambiente doméstico que habitavam, pontuando que a alma dos animais não tem a capacidade de escolher em qual espécie reencarnará (LE 599), seguindo uma lei progressiva semelhante à dos homens (LE 601).

Ainda na codificação, mas agora em A Gênese, capítulo XI, temos a informação trazida por Allan Kardec de que corpos de macacos teriam sido muito adequados a servir de vestimentas aos primeiros espíritos humanos, necessariamente pouco adiantados, que encarnaram na Terra.

Irvênia confessou que, ao deparar-se com esta informação, questionou-se se não haveria uma incoerência na obra de Kardec, já que o Espiritismo não aceita a metempsicose (LE 612) – reencarnações sucessivas do mesmo espírito em vegetais, animais ou seres humanos. Porém, novamente em A Gênese (cap. XI, item 16), encontramos o esclarecimento: não há transições bruscas e é provável que os primeiros homens pouco diferissem dos macacos em sua forma exterior e, sem dúvida, também quanto a sua inteligência.

 

Evolução para a ciência

De acordo com os estudos acadêmicos, o gênero humano evoluiu do Australopithecus, espécie que era encontrada na África há 3,5 milhões de anos. A partir da medida do volume da cavidade craniana, a ciência estabelece o Homo erectus como a primeira espécie pertencente ao gênero humano – que se desenvolveu até chegarmos no Homo sapiens sapiens. Não há, porém, uma medida de corte que possa ser estabelecida para fazer esta distinção, o que corrobora o processo evolutivo não brusco defendido por Allan Kardec.

Os animais pensam

É o que afirma André Luiz no livro Mecanismos da mediunidade. Segundo o mentor, o processo de pensamento nos animais se dá por emissão de ondas fragmentárias. O cérebro é o órgão que possibilita a manifestação da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a racionalidade humana.

Para a ciência, os animais são seres sencientes, isto é, têm sensibilidade, inteligência e todos os atributos inerentes a essa condição. Interessante notar que as áreas de percepção e de processamento de voz também existem nos cães, com padrão funcional semelhante ao apresentado pelos seres humanos. Isso explica por que os cães podem entrar em sintonia com os sentimentos de seus tutores, sendo capazes de comunicar-se telepaticamente com seus donos. No tocante a este tema, Irvênia citou estudos que mostraram que os cães percebem, através dessa sensibilidade comunicativa, quando seus donos estão se aproximando, derrubando a tese de que apenas olfato e audição possibilitariam o reconhecimento. Mamíferos, aves e alguns invertebrados (Octopus) também têm consciência.

 

Por que os animais sofrem?

O Espiritismo ensina que o sofrimento é reparação ou ensino renovador. Ninguém sofre somente para resgatar o preço de alguma coisa, mas também para angariar novos recursos valiosos à evolução. Logo, através desse mecanismo, o animal atravessa longas eras para aprimorar-se continuamente.

Irvênia lembrou do eminente pesquisador espírita Herculano Pires que afirmou que os animais sofrem porque evoluem, mas advertiu que todo sofrimento não natural é responsabilidade dos humanos e devemos nos perguntar constantemente se temos o direito de dispor deles para os nossos caprichos, como os espetáculos de entretenimento, rodeios, vaquejadas, rinhas de galo, entre outras práticas abomináveis. Aos poucos a humanidade vai formando consciência sobre a importância de respeitar e proteger os animais, tanto que práticas tradicionais como a caça à raposa (praticada desde 1660 e proibida em 2005) e as touradas (proibida na Catalunha desde 2012) começam a perder força.

 

Assistência espiritual

A assistência espiritual a animais ainda é um tema que traz bastante confusão no meio espírita. Irvênia lembrou que prece, água fluidificada e passe são práticas cujo poder curativo depende inegavelmente de três fatores: da pureza da substância inoculada, da energia da vontade e das intenções que animam aquele que quer curar, seja ele homem ou espírito. Algumas pessoas dispõem de grande força magnética, mas podem dela fazer mau uso.

Portanto, é preciso procurar casas espíritas que tenham se preparado adequadamente para este atendimento, com respeito e sem misticismos. 

 

Outros temas

Ao final, Irvênia abriu espaço para perguntas oriundas do público, o que levou a outras conclusões pertinentes.

A decisão de ingerir carne como regime alimentar deve ser de cunho pessoal. A pessoa que sentir-se em condições de abdicar da alimentação animal deve fazê-lo, mas isso não se configura uma imposição espírita como muito se afirma erroneamente.

Sobre castração, a expositora afirmou que esta prática é uma mutilação, um modelo provisório de controle populacional e de zoonoses, mas o ideal seria investir em campanhas de educação que conscientizassem as pessoas a serem responsáveis por seus animais, evitando o aumento da população de animais que vive nas ruas ou abandonada.

Por fim, ao ser questionada sobre eutanásia, Irvênia afirmou que não se pode banalizar a prática, usando-a na primeira doença enfrentada pelo animal. Há casos extremos em que lesões sérias ou doenças terminais se apresentam, mas ainda assim é preferível buscar tratamentos alternativos antes de decidir pela eutanásia animal.

 



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