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64ª Semana Espírita de Vitória da Conquista

Evento teve como tema central: "E a vida continua...".

Ricardo Ferreira
15/09/2017

Num mundo profundamente contaminado pelo medo da finitude resultante da crise generalizada de percepção dos valores essenciais da vida, construir uma ideia diretriz conjuntiva que lhe seja o contraponto é uma nobre e demorada tarefa a ser realizada pelos espíritas, cuja doutrina tem como um dos seus princípios fundamentais o da imortalidade da alma.

Inspirada por esse dever, a União Espírita de Vitória da Conquista realizou, entre os dias 02 a 10 de setembro de 2017, a 64.ª Semana Espírita de Vitória da Conquista. O evento, que segundo opinião de Divaldo Franco exarada durante a referida Semana, é o terceiro maior do movimento espírita brasileiro, contou com uma audiência diária, contabilizada pela organização, de 2000 pessoas. Durante esses dias, foram realizados palestras, seminários, painéis e fóruns em torno do tema central: “E A Vida Continua...” (título do livro de André Luiz que finaliza a série A Vida no Mundo Espiritual, escrita por ele em parceria psicográfica com o inesquecível Chico Xavier). Na oportunidade, foram comemorados os 160 de O Livro dos Espíritos, os setenta anos de oratória de Divaldo Pereira Franco e os cinquenta de mediunidade de José Raul Teixeira, que esteve nesse encontro na condição de convidado especial homenageado no sétimo dia da Semana pelos seus cinquenta anos dedicados à mediunidade elevada pelas imortais lições de Jesus. 

Para refletir sobre os conceitos de imortalidade, tempo, finitude, transcendência, eternidade, dentre outros equivalentes, foram convidados os seguintes palestrantes: Décio Iandoli Jr. (SP), Max Lânio Lacerda (DF), Carlo Roberto Campetti (DF), Lacordaire Abrahão Faiad (MT), Geraldo Campetti Sobrinho (DF), Sandra Gonczarowska Mussi (Canadá), José Mauro Mussi (Canadá) Wesley Cadeira (MG), Marta Antunes Oliveira Moura (DF), Oscar de Lira Carneiro (PB), André Luiz Peixinho (BA), Jorge Godinho Barreto Nery (DF), Simão Pedro de Lima (MG), Leonardo Machado (PE), Alberto Ribeiro de Almeida (PA), Divaldo Franco (BA). A seguir, um breve resumo afetivo das palestras.

 

O tema apresentado na abertura do evento foi: “Você e a Reencarnação”, por Carlos Campetti, em substituição a Décio Iandoli Jr., cuja presença foi inviabilizada por cancelamento do seu voo. A elogiável presteza do palestrante, que é diretor da ala de estudos da Federação Espírita Brasileira, traduziu-se numa exposição marcada por meditações em torno das consequências práticas do Espiritismo sobre a vida cotidiana dos espíritas. Campetti optou por uma estratégia didática clara, entretecendo interessantes comentários sobre a finalidade da encarnação, as consequências do suicídio, a importância do Setembro Amarelo e a reencarnação como promotora do progresso espiritual. No domingo, 03/09, Lacordaire Abrahão Faiad dissertou sobre “A Morte e A Desencarnação”. Usando o pensamento de Jesus: “Eu vim para que tenhais vida, e para que a tenhais em abundância”, Lacordaire estabeleceu a diferença entre morrer, fenômeno biológico, e desencarnar, psicológico. Cotejando ideias e dilemas suscitados pelo Existencialismo com a concepção ôntica do Espiritismo sobre a alma e o Espírito, o orador, cuja fala se caracteriza por um tom de amabilidade fraternal, explorou os dois construtos (morte e desencarnação) como dimensões valiosas da Vida, que, bem experimentados e refletidos, conduzem o indivíduo a adequada e proveitosa síntese de seus aprendizados, reencarnação após reencarnação.

 

“A Evolução Intelecto-Moral” foi o tema apresentado por Max Lânio, no terceiro dia da Semana Espírita. O estrado bibliográfico-filosófico da sua exposição foi composto, principalmente, pelo excerto de Lucas 9.57, intitulado por alguns tradutores d’O Novo Testamento como “Os Desafios do Discipulado” e o texto “A Lei de Amor”, da lavra do Espírito Lázaro, em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Lânio foi notavelmente coerente e coeso no uso das imagens e referências utilizadas em sua exposição. Culminou-a com reflexões valorosas sobre a caridade como a síntese da ética espiritista. No dia seguinte, Oscar de Lira, da Paraíba, apresentou suas meditações sobre “A Terra e o Céu”. Lastreou sua apresentação no contraponto histórico da Segunda Guerra Mundial, especificamente o ano de 1943, com sua terrível ânsia destrutiva, que seriam, na Literatura, os conceitos existenciais da obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (“O essencial é invisível aos olhos...”, por exemplo), e a obra Nosso Lar, de André Luiz. A notável memória literária de Oscar de Lira e a sua poética legaram aos ouvintes apontamentos e ponderações, haja vista a citação da última pergunta de O Livro dos Espíritos, que suscitaram o senso de dever, a esperança e a consolação.

Quinto e sexto dias da Semana Espírita. Simão Pedro de Lima e Leonardo Machado expuseram, reflexiva e respectivamente, os temas “Da Volta do Espírito, Extinta A Vida Corpórea, à Vida Espiritual” e “Sexualidade À Luz da Imortalidade”. A transição da consciência espiritual da dimensão corpórea foi explorada brilhantemente por Simão, cujos recursos mnemônicos possibilitam-lhe sempre oferecer aos ouvintes referências teóricas precisas para estudos posteriores, que ele distribui, amorosamente, de coração para coração. Suas observações sobre a análise de Allan Kardec a respeito da evolução do Espírito e do seu correspondente pensamento religioso demonstraram grande profundidade filosófica e imensa sensibilidade doutrinária. Ao se dirigir à plateia por primeira vez, Leonardo Machado homenageou Divaldo Franco, Raul Teixeira e Alberto Almeida por serem os inspiradores da sua jovem travessia de responsabilidades espíritas. O palestrante pernambucano, que é mestre e doutorando em Neuropsiquiatria, justificou introdutoriamente a sua escolha de um modo expositivo menos teórico e mais calcado nas suas experiências pessoais consubstanciadas no paradigma espírita. Sem qualquer laivo de exagero autobiográfico, Leonardo ofertou aos assistentes vários exemplos interessantes da vivência da sexualidade durante a juventude, no âmbito familiar, no exercício da profissão enriquecida pela ótica do Espiritismo.

 

Mais uma riquíssima viagem histórica, filosófica, doutrinária e afetiva foi encetada por Divaldo Franco, no sétimo dia do evento. O grande tribuno baiano expôs “A Mediunidade e As Evidências da Sobrevivência”, alicerçando seu pensamento no de Marco Túlio Cícero, o grande político e orador romano (106 a. C. a 43 a.C.), que afirmou: “A História é a pedra de toque que desgasta o erro e faz brilhar a verdade”, e no filosófico de Francis Bacon (1561 – 1626), um dos pais do experimentalismo científico. Neste dia, Divaldo foi homenageado pelos seus 70 anos de oratória espírita e rememorou lances de sua vida nos quais a Providência Divina alcançou-o pela mediunidade singela de vários corações que se lhe fizeram amigos e conselheiros, salvando-lhe, inclusive, a vida. Compartilhar suas memórias construídas nesse nonagenário percurso de nobreza e serviço ao bem e ao esclarecimento humano é sempre uma homenagem de Divaldo aos seu ouvintes.

 

Penúltimo dia. Tema: “Planejamento Reencarnatório e Destino”. Cantando os versos de Rabindranath Tagore psicografados por Vera Cohin e Divaldo Franco: “Cerra a janela dos teus olhos...”, que fala sobre o encontro da criatura com o Criador, nobre visitante, e excursionando pelas inconsistências filosóficas do Materialismo, Alberto Almeida apresentou suas atiladas considerações espiritistas sobre as razões da existência. E após peregrinar pelo sonho premonitório de João em Patmos; pela fenomenologia cuja realidade intrínseca é inabordável pela concepção materialista (EQM, mediunidade etc.) e pelo ilogismo fundamental desta, o insigne orador paraense refletiu sobre a encruzilhada ética na qual se encontra a Humanidade. Ou a transcendência ou a destruição da comunidade planetária. Destaque-se, a propósito, a sua menção à questão 642, de O Livro dos Espíritos, que alude de maneira especial à necessidade consciencial do ser encarnado em fazer o bem, não lhe bastando apenas não fazer o mal. A dedicação ao bem, depreende-se do seu canto, produzirá aquele esperado encontro da visão de Tagore. E foi com cântico do grande poeta que Alberto encerrou sua viagem.

 

No último dia da 64.ª Semana Espírita de Vitória da Conquista, depois de uma sessão de autógrafos que procurou aproximar os corações dos participantes ao de Alberto Almeida e Divaldo Franco, ocorreu, tal qual na abertura, com a presença de autoridades locais, o encerramento do conclave com a palestra “O Livro dos Espíritos e A Imortalidade”. Divaldo Pereira Franco, relembrando o Iluminismo Francês e a ascendência da razão (leia-se racionalidade instrumental) e o célebre 18 de abril de 1857, que registrou a chegada d’O Livro dos Espíritos à Livraria Dentu, na França, exaltou a importância dessa obra para a solução do grande enigma que atordoa a consciência humana: há vida após a morte? De fato, esse livro, que contém a viga mestra da filosofia espírita, deu de herança à sociedade terrestre, que, em sua totalidade, ainda não a conhece, a síntese desse conhecimento que é diametralmente oposto ao Materialismo. Este, nada obstante tenha alcançado grande vitórias no campo científico, não logrou libertar o ser humano de suas dores mais íntimas. O Espiritismo, ajustando a percepção humana, oferece às criaturas um nível de penetração na realidade intrínseca da Natureza, do Universo e de si mesmas capaz de corrigir o ângulo de observação humano destes elementos, alçando as consciências à condição espiritual que lhes é própria. Desse patamar, é possível constatar, verdadeiramente, que Deus vela por nós, sempre, “ E a vida continua...”. Para alcançar essa condição, descobrindo a verdadeira felicidade, sugeriu Bezerra de Menezes, por intermédio da psicofonia de Divaldo, no final dessa última conferência, é necessário despertar para a Essencialidade da Vida. Conclamou o nobre Espírito: “Ide, levando a mensagem de Jesus Cristo gravada em vossos corações”.  Finalizou-se, então, a 64.ª Semana Espírita de Vitória da Conquista.

 

Neste último dia também, foram convidados ao palco os representantes das 21 casas espíritas da cidade, que se abraçaram num gesto de união e fraternidade. Cerca de 300 trabalhadores participaram da realização da 64ª Semana Espírita de Vitória da Conquista.

Caravanas de 99 cidades de 18 estados brasileiros participaram do evento. Pela internet, pessoas de 630 cidades de 62 países assistiram à 64ª Semana Espírita. Fato curioso é que casas espíritas de algumas cidades colocaram telões em seus auditórios e as pessoas formaram plateias para assistirem as atividades. 

Ao final da última atividade, foram lançados o tema e a data da 65ª Semana Espírita de Vitória da Conquista: ANTE OS TEMPOS NOVOS – 150 anos de A Gênese, que acontecerá de 01 a 09 de setembro de 2018.



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