Individualidade, livre pensamento e livre consciência

 •  Redação

O desenvolvimento da individualidade se inicia quando o princípio espiritual começa sua trajetória reencarnatória, ainda nos reinos mineral, vegetal e animal. Apesar de ainda não ter vida inteligente em completo, sua individualidade já começa a ser moldada.
A alma conserva a sua individualidade após a morte. Jamais a perde. Continua a ter fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito. Nada leva consigo deste mundo, a não ser a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra. (L.E. 150)1
Após a morte, a alma dos animais (também) conserva a sua individualidade; quanto à consciência do eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente. (L.E. 598)1
Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. (L.E. 597)1
A lei de Deus está escrita na consciência (L.E. 621)1 e, para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o espírito divino o animava. (L.E. 625)1
Será a liberdade de consciência uma consequência da de pensar? – A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos. (L.E. 835)1
Falece ao homem direito de pôr embaraços à liberdade de consciência, quanto com referência à liberdade de pensar, por isso que só a Deus cabe julgar a consciência. Assim como os homens, pelas suas leis, regulam as relações de homem para homem, Deus, pelas leis da natureza, regula as relações entre Ele e o homem. (L.E. 836)1
Que é o que resulta dos embaraços que se oponham à liberdade de consciência? – Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar, fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso. (L.E. 837)1
Será respeitável toda e qualquer crença, ainda quando notoriamente falsa? – Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem. Condenáveis são as crenças que conduzam ao mal. (L.E. 838)1
Será repreensível aquele que escandalize com a sua crença um outro que não pensa como ele? – Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento. (L.E. 839)1
Será atentar contra a liberdade de consciência pôr óbices a crenças capazes de causar perturbações à sociedade? – Podem reprimir-se os atos, mas a crença íntima é inacessível. Reprimir os atos exteriores de uma crença, quando acarretam qualquer prejuízo a terceiros, não é atentar contra a liberdade de consciência, pois que essa repressão em nada tira à crença a liberdade, que ela conserva integral. (L.E. 840)1
Se alguma coisa se pode impor, é o bem e a fraternidade. Mas não cremos que o melhor meio de fazê-los admitidos seja obrar com violência. A convicção não se impõe. (L.E. 841)1
Toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa. (L.E. 842)1
No contexto do livre pensamento e da livre consciência, o espírita é convidado a subordinar a crença à razão e libertar-se do jugo da fé cega. (R.E. 1867, pág. 33)2
O grande ensinamento que o Espiritismo nos traz é o desenvolvimento do senso crítico. Os pensamentos e a nossa individualidade são protegidos pelo direito do livre-arbítrio, mas é necessário ressaltar que a consciência sempre se constitui como nosso grande juiz.

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
2. ____. Revista Espírita.

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